A vivência emocional de adolescentes vítimas de violência sexual no contexto judiciário por intermédio do Procedimento de Desenhos-Estórias

SILVA, Amanda Carollo Ramos da. A vivência emocional de adolescentes vítimas de violência sexual no contexto judiciário por intermédio do Procedimento de Desenhos-Estórias. 147 f. (Tese de Doutorado)  – Universidade Estadual Paulista (UNESP), Faculdade de Ciências e Letras, Assis, 2024.

Disponível em: https://hdl.handle.net/11449/257431

Resumo: O fenômeno da violência sexual contra o público infantojuvenil e as repercussões psíquicas dessa vivência, potencialmente traumática, são temas de complexidade, envoltos por diversas nuances. Objetivo: Esta pesquisa, que se desenvolveu em um contexto de intersecção entre a Psicologia e o Judiciário, tem como objetivo compreender, por intermédio do Procedimento de Desenhos-Estórias (D-E), aplicado durante a entrevista prévia ao depoimento especial, a experiência emocional de adolescentes que vivenciaram situações de violência sexual. Método: Para seu desenvolvimento, elegeu-se o método clínico-qualitativo, utilizando como estratégia metodológica o estudo de caso à luz do referencial teórico psicanalítico e, como instrumento de pesquisa, o Procedimento de Desenhos-Estórias, uma técnica de investigação clínica que possibilita o acesso à condição psicodinâmica do indivíduo, focalizando pontos conflitivos e turbulências emocionais. O estudo foi aprovado por um Comitê de Ética em Pesquisa e teve o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo como instituição coparticipante. A aplicação do instrumento ocorreu no cotidiano profissional da autora e, para a análise de dados, foi utilizada a livre inspeção dos materiais, na qual se privilegiou o acompanhamento livre das associações entre produções gráficas e produções verbais, buscando a apreensão dos aspectos que se sobressaíam. Participaram da pesquisa cinco adolescentes do sexo feminino que sofreram abuso sexual intrafamiliar. Analisando os materiais produzidos, em conjunto com os históricos de vida acessados, foram evidenciadas situações de desproteção e o estado de desamparo em relação às figuras parentais. Para lidar com essa condição, identificou-se, a nível intrapsíquico, a mobilização de uma série de mecanismos de defesa, sendo reconhecidos, nas unidades de produção, o uso de idealização, negação, esquecimento, isolamento, controle onipotente e cisão. Resultados: Observou-se, de forma geral, que inseridas em um contexto vulnerável, com falhas na proteção parental, as adolescentes não tiveram seus processos de desenvolvimento preservados, sendo levadas a assumir uma independência prematura ou uma falsa maturidade. Não obstante a isso, considerou-se que as participantes demonstraram um movimento favorável de elaboração das situações vivenciadas e de desenvolvimento de recursos internos para dar sentido às suas vivências, levando-se em conta não só a expressão de emoções, possibilitada por meio da atividade, mas também a oferta de um espaço de escuta, acolhimento e credibilização. Em relação à aplicação do Procedimento de Desenhos-Estórias (D-E) no atendimento psicológico em âmbito forense, pôde-se observar que se mostrou uma ferramenta eficaz tanto para propiciar ao examinando a expressão de suas emoções de forma lúdica quanto para o profissional, que tem o estabelecimento do rapport favorecido e passa a ter acesso, de forma breve e não invasiva, às experiências emocionais do indivíduo, o que leva a uma atuação mais continente e assertiva. Conclusão: Compreende-se que embora esta pesquisa tenha tratado de um contexto e de um público específicos, as reflexões emergentes permitiram lançar um olhar além, não só para questões relacionadas à violência sexual contra crianças e adolescentes e ao exercício profissional de Psicologia em instância judicial, mas também para a compreensão do fenômeno da violência em si, contribuindo, ainda, para a atuação de psicólogos nesses casos, independente da área em que seu trabalho é demandado.

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