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Entre sonhos e pesadelos: Imaginário Coletivo de profissionais acerca do adolescente na saúde mental

GRANATO, Tania Mara Marques. Entre sonhos e pesadelos: Imaginário Coletivo de profissionais acerca do adolescente na saúde mental. 246 f. (Tese de Doutorado), Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), 2024. 

Disponível em: https://repositorio.sis.puc-campinas.edu.br/handle/123456789/17362?locale-attribute=pt_BR

Objetivo: O objetivo foi investigar o imaginário coletivo de profissionais da saúde mental pública a respeito de adolescentes com transtornos mentais e suas perspectivas futuras. Este trabalho se justifica como produção de conhecimento compreensivo que, considerando o desafio de cuidar de pessoas adolescentes em condições de interseccionalidades desfavoráveis (pertencentes a classes subalternizadas e com transtornos psiquiátricos), possa contribuir para o aprimoramento da atuação clínica de equipes de saúde. Organiza-se teórico-metodologicamente como pesquisa qualitativa empírica, com uso do método psicanalítico informado por teorizações dramático-vinculares, incluindo-se entre as perspectivas relacionais que prosperam na psicanálise contemporânea. Método: Realizamos entrevistas coletivas transicionais, organizadas ao redor do uso do Procedimento de Desenhos-Estórias com Tema (D-E com Tema), com 15 profissionais de um Centro de Atenção Psicossocial Infanto-juvenil (CAPSi), em três grupos de cinco participantes. Solicitamos que desenhassem e escrevessem uma história sobre “Uma pessoa adolescente na saúde mental” e, em seguida, sobre “Essa pessoa adolescente daqui a 10 anos”. A interpretação preliminar do material produzido pelos participantes indicou lacunas de sentido e demanda profissional por acolhimento, escuta qualificada, capacitação e reflexão clínica, o que nos levou a criar uma modalidade de entrevista devolutiva, objetivando compartilhar nossos achados e oferecer uma nova experiência de escuta. Criamos uma Narrativa Interativa Devolutiva (NID), como recurso dialógico desenvolvido a partir das produções imaginativas sobre o futuro dos adolescentes. Os encontros foram registrados sob forma de Relato Associativo Inicial (RAI), derivados de lembranças e memórias. RAIs e DE-T foram compartilhados com o grupo de pesquisa a fim de ampliar os sentidos interpretativos e lapidar a elaboração de Narrativas Transferenciais (NT), nas quais descrevemos o encontro inter-humano em termos de interações, ocorrências, impressões e sentimentos subjetivos da pesquisadora, além dos Desenhos-Estórias. Resultados: Esse material subsidiou a produção interpretativa de três campos de sentido afetivo-emocional, subjacentes ao imaginário coletivo sobre os adolescentes: “Ponto de interrogação sem fim”, “Ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro” e “Rede de desamparados”, que evidenciam, respectivamente, que o adolescente é visto como uma grande incógnita pelos profissionais, dificultando a aproximação ao drama vivido. Já no futuro, os profissionais projetam fantasias de sucesso e de inclusão para os adolescentes, que superariam as adversidades vividas no passado. Identificamos, por fim, que há um sentimento de desamparo e de exclusão, compartilhado por adolescentes e profissionais. Conclusão: Concluímos que, ainda que os profissionais se sintam solitários e desafiados pela complexidade da tarefa, mantêm viva a esperança no trabalho que realizam, apontando, porém, para a importância do desenvolvimento de ações de cuidado aos profissionais, de modo a promover a saúde mental destes e qualificar o cuidado ofertado aos adolescentes na saúde mental.

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