SIMÕES, C. H. D.; RIEMENSCHNEIDER, F.; AIELLO-VAISBERG, T. M. J. “Vítimas da sociedade contemporânea”: imaginário de trabalhadores de saúde mental sobre o paciente psiquiátrico. Anais da X Jornada Apoiar: O Laboratório de Saúde Mental e Psicologia Clínica Social – 20 Anos: O Percurso e o Futuro, p. 254–265. São Paulo: Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, 2012.
Resumo: Apresentamos, neste trabalho, uma pesquisa-intervenção, realizada junto a trabalhadores de saúde mental de diferentes formações de nível superior, que compõem a equipe de uma instituição psiquiátrica. Usamos uma metodologia complexa e, nesse trabalho, focalizamos a entrevista coletiva, organizada por meio de dois mediadores dialógicos: o Procedimento de Desenhos-Estórias com Tema (D-E com Tema) e a apresentação de slides para facilitar uma conversa grupal, visando facilitar uma comunicação emocional. O acontecer foi registrado como narrativa psicanalítica que, conjuntamente considerada com os desenhos-estórias, permitiu a produção interpretativa do campo de sentido afetivo-emocional ou inconsciente relativo, denominado “Vítimas da Sociedade Contemporânea”. Esse campo se definiu a partir da crença de que a sociedade produziria sofrimentos psíquicos e existenciais, em função dos modos pelos quais se organiza na época atual. As condições concretas da vida social, econômica, política e cultural atuariam como causas diretas do adoecimento psíquico. Essa aposta em uma causalidade social direta do sofrimento psíquico pode ser considerada indício de um movimento de superação de posições conservadoras. Contudo, o fato de se apresentar sob a forma de determinação direta e simplificada parece revelar uma tendência a desconsiderar o indivíduo em sua complexidade, de modo a reduzi-lo a mero efeito da estrutura político-social.