TACHIBANA, M.; AYOUCH, T. C.; BEAUNE, D.; AIELLO-VAISBERG, T. M. J. O imaginário coletivo de estudantes franceses de psicologia acerca do doente mental. Anais da X Jornada Apoiar: O Laboratório de Saúde Mental e Psicologia Clínica Social – 20 Anos: O Percurso e o Futuro, p. 292–305. São Paulo: Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, 2012.
Resumo: A literatura especializada sobre o ensino de Psicopatologia aponta a complexidade do processo de formar o futuro profissional, uma vez que se faz necessário não apenas transmitir conteúdos teóricos, como, também, favorecer o desenvolvimento da sensibilidade clínica. Assim, com o intuito de produzir conhecimento científico que favoreça a formação do psicólogo, realizamos uma investigação psicanalítica sobre o imaginário coletivo de estudantes de Psicologia franceses, acerca do paciente de saúde mental. Para tanto, foi realizada uma entrevista coletiva, da qual participaram 17 alunos do último ano da graduação, em contexto de sala de aula. Para facilitar a comunicação emocional, utilizamos um recurso mediador-dialógico, o Procedimento de Desenhos-Estórias com Tema (D-E com Tema), a partir do qual os estudantes foram convidados a desenhar, individualmente, “um indivíduo considerado louco”, bem como a inventar uma estória sobre a figura desenhada. Após o encontro, os pesquisadores redigiram uma narrativa transferencial sobre o acontecer clínico que, considerada juntamente com os desenhos e estórias, permitiu a produção interpretativa de campos de sentido afetivo-emocional ou inconscientes relativos. A partir dos campos “Isolado”, “Incurável”, “Perturbador” e “Narcisista”, observamos que, no imaginário estudado, o louco, na medida em que é visto como incurável, deve ser internado, seja porque sente necessidade de afastar-se, seja porque provoca angústia nos demais. Concluímos que o imaginário dos alunos encontra-se ancorado na lógica manicomial discriminatória, demandando um ensino de Psicopatologia que favoreça a transformação desses campos e tendo em vista permitir a superação deste posicionamento conservador.