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Entre a culpabilização da vítima e a fadiga por compaixão: a mulher com fibromialgia no imaginário coletivo de familiares do gênero masculino

COUTO, Maria Vitória Marcondes de Miranda. Entre a culpabilização da vítima e a fadiga por compaixão: a mulher com fibromialgia no imaginário coletivo de familiares do gênero masculino. 2025. 36 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Psicologia) – Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2025.

Disponível em: https://repositorio.ufu.br/handle/123456789/46961 

Resumo: A fibromialgia (FM) é uma síndrome caracterizada por dores crônicas e difusas e se encontra entre as condições reumatológicas mais prevalentes no mundo. O impacto do adoecimento ultrapassa o corpo em seu aspecto físico, afetando diversas esferas da vida cotidiana e as relações familiares. Diante disso, o presente estudo teve por objetivo compreender o imaginário coletivo acerca da FM entre familiares do gênero masculino, que conviveram ou convivem com mulheres acometidas pela síndrome, valendo-se de uma abordagem qualitativa fundamentada no método investigativo psicanalítico. A coleta de dados ocorreu por meio de entrevistas mediadas pelo Procedimento de Desenhos-Estórias com Tema, realizadas com quatro homens, sendo dois filhos, um filho/neto e um marido. A análise dos dados, operacionalizada por meio da interpretação psicanalítica, possibilitou o delineamento de quatro campos de sentido, assim intitulados: (1) “Querer não é poder”, (2) “Esporte, religião e terapia”, (3) “A dor do testemunho” e (4) “Hiperalgesia do corpo-mente”. Os resultados apontam que os familiares percebem que mulheres com FM ocupam uma posição de sofrimento diante da vida e associam a possibilidade de melhora ao engajamento em atividades físicas, religiosas e terapêuticas. Evidenciou-se também o sofrimento dos próprios familiares ao testemunharem a dor constante, bem como a dificuldade nas relações de cuidado, marcada pela banalização da dor devido à sua recorrência. Em síntese, parece razoável propor que o imaginário coletivo dos participantes é moldado predominantemente pela culpabilização da vítima, por um lado, e pela fadiga por compaixão, por outro. Tendo em vista esses achados, destaca-se a necessidade de um olhar em saúde que reconheça não apenas a paciente com FM, mas também seus familiares como sujeitos que demandam atenção e cuidado.

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