AMORIM, Paula Tavares. A organização psíquica das crianças amazônidas: análise dos fenômenos transicionais na pandemia de COVID-19. 2023. 75 f. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal do Amazonas, Manaus, 2023.
RESUMO: O desenvolvimento emocional é fator decisivo para a saúde, por intermédio do equilíbrio entre as forças intrapsíquicas proporcionadas pela internalização de cuidados primários e pelo ambiente externo que ofereça cuidados e segurança. Em decorrência da pandemia, o ambiente externo tornou-se ameaçador e imprevisível, além das relações sociais tornarem-se restritas. Com as crianças, apesar do pouco risco de contágio do vírus, o impacto emocional tornou-se relevante diante do afastamento escolar e familiar. Sendo assim, esta dissertação teve como objetivo analisar a organização psíquica das crianças amazônidas em idade escolar, durante o impacto emocional da pandemia de COVID-19. O delineamento do estudo foi clínico-qualitativo, conforme proposto por Turato (2018) e de caso múltiplo em um grupo único, proposto por Hussain (1990) através de métodos projetivos organizados em um protocolo de pesquisa. Foram realizados, ao todo, três encontros presenciais com os pais e/ou responsáveis e com a criança participante. A pesquisa foi divulgada nas redes sociais para a triagem dos interessados. Participaram do estudo seis crianças com idade entre 07 e 10 anos de idade cursando o ensino fundamental. Para análise, a dissertação foi organizada em dois estudos: o primeiro, com a aplicação do Procedimento de Desenhos-Estórias com Tema; o segundo, com a aplicação do Teste de Apercepção Temática Infantil com figuras animais (CAT-A). O uso desses métodos projetivos permitiu investigar a dinâmica da personalidade da criança, seu entendimento a respeito da pandemia, a forma como lidou com conflitos e fantasias e a qualidade das relações afetivas constituídas. O estudo demonstrou que as crianças foram impactadas consideravelmente nesse período, sendo que a maioria dos participantes apresentaram dificuldades de simbolizar os sentimentos negativos ocasionados nesse período, como medo, solidão e isolamento. Além disso, a família não conseguiu oferecer holding à criança, atravessada pelo seu próprio sofrimento diante da iminência da contaminação e dos problemas sociais acarretados. Acredita-se que este estudo poderá contribuir para futuras pesquisas sobre o desenvolvimento infantil frente a adversidades traumáticas, para intervenções e prevenções promovidas às crianças, seus familiares e a escola, além do importante avanço da psicologia projetiva na região Norte do Brasil.