COELHO, L. G. Composições caleidoscópicas: Uma investigação dos vínculos em famílias reconstituídas. 48 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Psicologia) – Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2024.
Disponível em: https://repositorio.ufu.br/handle/123456789/44241
Resumo: Na literatura científica sobre as configurações familiares contemporâneas, observamos a predominância de pesquisas que refletem um imaginário conservador de família. A presente pesquisa, ao contrário,dedica-se a verificar os problemas das composições que fogem ao modelo normativo. Nesse sentido, os estudos de famílias reconstituídas, formadas por união conjugal posterior a um divórcio, são comumente focalizados nos desafios vividos em decorrência de perdas e instabilidades. Objetivo: Ampliando essas perspectivas, buscamos investigar os vínculos de famílias reconstituídas, na perspectiva de mães e filhossob as particularidades dessa configuração. Método: Para isso, foram realizadas três entrevistas coletivas com famílias reconstituídas, mediadas pelo Procedimento de Desenhos-Estórias com Tema (D-E com Tema), recurso mediador-dialógico no qual os participantes produzem um desenho e uma narrativa em relação à temática de pesquisa. Após cada encontro, foi redigida uma Narrativa Transferencial, apresentando a experiência vivida. A partir dos conteúdos inconscientes enunciados, foi feita uma análise dos vínculos de cada subsistema familiar (conjugal, parento-filial e fraterno), em articulação com a literatura especializada de família e com a Psicanálise Vincular. Em relação ao Vínculo Conjugal, identificamos um mal-estar, decorrente da dissolução de uma conjugalidade seguida de uma nova. Quanto ao Vínculo Parento-Filial, observamos a expressão de conflitos de lealdade, em meio à sobreposição de filiação no filho que, junto da mulher-mãe, experienciou uma história familiar pregressa. O Vínculo Fraterno revelou-se mais bem preservado, com a criança fruto da união atual da mulher-mãe sentindo-se totalmente filiada ao primogênito meio-irmão. Também, notamos a presença de elementos resilientes e integradores nessas famílias, apesar dos desafios vividos. Conclusão: Verificamos, assim, a importância de mais estudos que focalizem essas famílias como um todo e a importância de intervenções clínicas dedicadas ao fortalecimento desses vínculos familiares.