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Dualidade Pulsional e Doenças Autoimunes: reflexões de vida e morte

CARDOZO, M. A. V. Dualidade Pulsional e Doenças Autoimunes: reflexões de vida e morte. 184 p. Tese (Doutorado em Psicologia) – Universidade Estadual Paulista (UNESP), Faculdade de Ciências e Letras, Assis (SP), 2022. 

Disponível em: http://hdl.handle.net/11449/238253

Resumo: As Doenças Autoimunes são aquelas em que o sistema imunológico falha, atacando e destruindo células, tecidos ou órgãos saudáveis no próprio organismo, com causas desconhecidas para muitas das mais de cem dessas doenças já identificadas. Não há cura para tais doenças, apenas tratamentos que variam em sua eficácia e prejuízos colaterais, conforme a patologia, sua gravidade e quem adoece. Nesse sentido, este trabalho teve por objetivo compreender as manifestações pulsionais nas Doenças Autoimunes por intermédio do estudo de pessoas com Lúpus Eritematoso Sistêmico e Psoríase, abarcando duas participantes adultas, cada qual com uma das doenças referidas e ambas sem antecedentes genéticos de Doenças Autoimunes na família. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, que se propôs a investigar aspectos do psiquismo humano que consideram a especificidade e subjetividade do indivíduo, mas que propiciem sistematizações de conhecimento acerca da generalidade da vida mental. Para tanto, a execução da pesquisa utilizou-se do Procedimento de Desenhos-Estórias com Tema, com quatro Unidades de Produção realizadas com cada participante, separadamente, buscando investigar aspectos essenciais de suas dinâmicas psíquicas, tais quais seus recursos defensivos e capacidade elaborativa do ego. Complementando o D-E (T), realizou-se uma Entrevista Semiestruturada, individualmente, visando resgatar aspectos do ciclo vital e vivências importantes que auxiliassem na compreensão do processo de adoecer e seus enfrentamentos. A análise e a sistematização dos dados se deram por meio do referencial teórico psicanalítico, visando relacionar a dualidade pulsional e as Doenças Autoimunes. Constatou-se, nas Unidades de Produção elaboradas, precariedade na representação e simbolização das participantes, bem como grande fragilidade psíquica, indicando cisões importantes. As verbalizações durante a aplicação do Procedimento de Desenhos-Estórias com Tema e nas entrevistas realizadas confirmam esses dados e nos possibilitam verificar a ocorrência de eventos traumáticos com rupturas significativas de vínculos primordiais na infância dessas participantes, que sugerem ter configurado a impossibilidade de manter o sofrimento psíquico em níveis mentais, sendo necessária a comunicação dessa dor avassaladora por meio do corpo somático. Por fim, compreende-se que, em alguns pacientes com Doenças Autoimunes, quando não há antecessores genéticos na família nem explicações ambientais em seu desencadeamento, a dualidade pulsional manifestou-se no corpo, caracterizando, ao mesmo tempo, tentativas de lidar com a dor e a busca pelo fim do sofrimento, tendo o corpo somático e o corpo das representações atuado juntos, defensivamente. 

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