SOUSA, Lara Gonçalves de; SILVA, Eduarda Moura; PERES, Rodrigo Sanches. Imaginário coletivo sobre a velhice: estudo com profissionais de uma instituição de longa permanência para idosos. Acta Scientiarum. Human and Social Sciences, v. 47, e72104, 2025.
Disponível em: https://www.proquest.com/openview/7a50191443dc006f449da39e06e89ba7/1?pq-origsite=gscholar&cbl=2037654
Resumo: O imaginário coletivo, tal como é psicanaliticamente concebido, constitui o cerne do posicionamento de um grupo social ou de uma parcela de seus integrantes frente a determinado fenômeno. O presente estudo teve por objetivo compreender o imaginário coletivo acerca da velhice por parte de profissionais de uma Instituição de Longa Permanência para Idosos (ILPI). O número de participantes foi definido pelo critério de saturação. A coleta de dados foi empreendida presencialmente, a partir de entrevistas individuais norteadas pelo Procedimento de Desenhos-Estórias com Tema. O corpus foi submetido à interpretação psicanalítica, visando à captação de campos de sentido. O primeiro campo de sentido organizou-se em torno da crença, compartilhada por diversas participantes, de que o envelhecimento implica alterações significativas no humor, mas, apesar disso, idosos tendem a uma postura afetuosa. O segundo campo de sentido foi captado devido à constatação de que, para muitas participantes, idosos institucionalizados se caracterizam pela tristeza, especificamente por não se conformarem com a condição na qual se encontram. Já a demarcação do terceiro campo de sentido se deveu ao fato de que diversas participantes aparentaram acreditar que seria imprescindível adotar uma atitude especialmente compreensiva frente aos idosos, porque eles supostamente não teriam mais pleno domínio das faculdades mentais e estariam vivenciando a iminência da morte. Portanto, os resultados obtidos revelam que, no imaginário coletivo das participantes, se mesclam premissas ideoafetivas em função das quais são realçados tanto aspectos positivos quanto aspectos negativos da velhice. Parece razoável propor que a qualidade do cuidado gerontogeriátrico ofertado por profissionais de ILPIs demanda o estabelecimento de um equilíbrio dinâmico entre esses aspectos, e isso, por sua vez, exige uma reflexão constante, inclusive acerca do próprio processo de envelhecimento.