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Sexo, quanto é? O valor e custo de ser profissional do sexo

MARTINS, Dariene Castellucci. Sexo, quanto é? O valor e custo de ser profissional do sexo. 104 f. Dissertação (Mestrado), Universidade Paulista, Ribeirão Preto, 2024. 

Disponível em: https://repositorio.unip.br/wp-content/uploads/tainacan-items/88269/137584/TC_Dariene-Castellucci-Martins.pdf 

Resumo: A prostituição feminina é uma atividade laboral em que a experiência sexual é ofertada mediante remuneração, atribuindo ao sexo uma conotação mercantil. Apesar de multifatorial e intersetorial, os serviços sexuais, embora reconhecidos na CBO desde 2002, não possuem regulamentação social ou trabalhista, devido a entraves políticos, morais e religiosos. Isso perpetua o estigma, o preconceito e a discriminação, limitando o acesso dessas mulheres a direitos básicos e à plena valorização de suas individualidades. Há quem defenda a erradicação da prostituição por conta da exploração e violências enfrentadas por essas trabalhadoras; contudo, sem políticas públicas adequadas, tais medidas não garantem proteção e cidadania. Objetivo: O objetivo da pesquisa é compreender como mulheres cisgênero, profissionais do sexo, constroem sua autoimagem e desempenham diferentes papéis sociais para além da profissão. O estudo é qualitativo, exploratório e descritivo, com base em estudo de caso coletivo com cinco participantes, maiores de 18 anos, que se autodenominam profissionais do sexo e atuam em uma cidade do interior paulista. Método: Para a coleta de dados, utilizaram-se entrevistas semiestruturadas, a técnica do Procedimento de Desenhos-Estórias com Tema (D-E com Tema) e o diário de campo, realizados nos locais de trabalho das participantes, como bares e hospedarias da região central da cidade. Entre as características sociodemográficas das participantes, três têm entre 40 e 50 anos e duas entre 20 e 30; uma é branca, uma parda e três pretas; três são separadas e duas casadas. Quatro possuem filhos e trabalham na profissão há mais de 10 anos, com escolaridade variando do Ensino Fundamental incompleto ao Ensino Médio completo. A análise fundamenta-se na teoria de Michel Foucault e organiza-se em três categorias. O poder velado: a prostituição sob o véu social investiga como o poder patriarcal agrava a vulnerabilidade das profissionais do sexo e as expõe à violência. O poder que orquestra corpo, sexo e prazer discute o corpo feminino como objeto de controle e consumo, mas também como resistência, revelando os efeitos de normas estéticas opressivas na condição de ser mulher. A mística do cotidiano: as relações de afeto das profissionais do sexo, explora a separação entre vida pessoal e profissional, marcada por sofrimento e complexidade. Resultados: Os resultados evidenciam temas recorrentes, como violência e vulnerabilidade social, amplificados por marcadores de gênero. A pesquisa revela que dar voz a essas mulheres permite expor as estruturas de poder que reforçam sua marginalização, superando o estereótipo da “mulher profana” e reconhecendo suas múltiplas formas de existência e resistência. O conceito de “mulheridades” reflete essas realidades diversas e resilientes, destacando as complexas experiências dessas profissionais. Como estratégia de letramento de gênero e para reduzir os estigmas associados à prostituição, foi produzido um panfleto nas versões impressa e digital com base nos achados da pesquisa.

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