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Um olhar para quem cuida: as experiências emocionais de mães de crianças com Transtorno do Espectro Autista diante do processo diagnóstico

ISHIKAWA, Bianca Garcia. Um olhar para quem cuida: as experiências emocionais de mães de crianças com Transtorno do Espectro Autista diante do processo diagnóstico. 2025. 134 p.. Dissertação (mestrado) – Universidade Estadual Paulista (UNESP), Faculdade de Ciências e Letras, Assis.

Disponível em: [PDF] BIANCA GARCIA ISHIKAWA

Resumo: A mudança de nomenclatura de “autismo” para Transtorno do Espectro Autista (TEA), juntamente com as alterações nos critérios diagnósticos, resultou em um aumento significativo na emissão de laudos que identificaram esse transtorno. Consequentemente, um número crescente de famílias tem vivenciado esse processo diagnóstico. Dentre os familiares, são as mães que geralmente assumem maior envolvimento, tanto na trajetória diagnóstica quanto nos cuidados diários com os filhos. Essa centralidade materna pode ser atribuída aos papéis sociais historicamente impostos às mulheres, ao maior índice de divórcios em famílias com crianças diagnosticadas com TEA, bem como à responsabilização materna, alimentada por determinadas teorias que buscam explicar a etiologia do transtorno. Nesse contexto, o presente estudo tem por objetivo compreender as experiências emocionais suscitadas em mães a partir do diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) de seus filhos. Para tanto, foi adotada uma abordagem qualitativa, fundamentada no referencial teórico da psicanálise e estruturada como um estudo de casos múltiplos. Os instrumentos utilizados foram a entrevista individual semiestruturada e o Procedimento de Desenhos-Estórias com Tema. A pesquisa foi realizada no Centro de Atendimento Educacional Especializado – Fênix – Educação para Autistas “Wlamir Carlos de Oliveira”, uma instituição que atua como sala de recursos multifuncional no município de Assis, estado de São Paulo. Participaram do estudo quatro mães de crianças com até seis anos de idade, todas as crianças tinham laudos de TEA e eram matriculadas na referida instituição. Os resultados evidenciam a dificuldade dessas mães em acessar e elaborar suas emoções, devido à solidão e à sobrecarga de responsabilidades e tarefas. Além disso, observou-se que uma das formas encontradas por essas mulheres para lidar com o diagnóstico é a elaboração de um processo de luto. Diante disso, sugere-se que sejam pensadas ações voltadas à escuta e ao acolhimento dessas mães, uma vez que, além de cuidar, elas também precisam ser cuidadas.

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